Depois de um período de ausência, onde fazia a trilha inca para chegar a Machu Picchu (qualquer dia, escrevo um post sobre isso), cá estou... E divido com vocês, o conto mais recente, homenageando os Josés do Brasil, de São José dos Campos, Pinhais, Rio Pardo, Rio Preto, San Jose (da Costa Rica, California).
SER JOSÉ NÃO É PARA QUALQUER MANÉ
São José dos Campos, sábado, bar do Zé:
- Zezinho, traz mais uma gelada e aipim, disse José Ricardo, o anfitrião!
- Pra mim, a picanha mal passada e uma caipirinha de frutas vermelhas, rebateu Mazé, de São José do Rio Pardo
- Mais algum pedido, perguntou Zezinho, sempre cordial.
- Uma cachaça de Minas, emendou Zé Maria, vindo de São José de Rio Preto
- Traz duas pra mim, disse a saudosista Josefa, de San Jose, Califórnia
Sem nenhum constrangimento José, de São José dos Pinhais, tomava seu rabo de galo. Mais uma vez, estava reunida a confraria do Josés.
O papo rolava solto, havia seis meses que não se viam.. E mais uma vez, enalteciam, ostentavam o nome dado pelos pais. A confraria tinha até brasão, um jota dourado acompanhado por um esse vermelho. Em letra maiúscula, fonte desenvolvida exclusivamente para o grupo.
- Chega de confusão no meu bar... Esse ano, o jogo será aqui mesmo, em São José dos Campos! E teremos o time dos políticos contra o combinado gringos e artistas.
O silêncio durou pouco e todos animados partiram para organizar o campeonato. Conseguiram o primeiro patrocinador: Jose Cuervo, bebida oficial da competição.
- Em hebraico, vem do nome Yoseph, aquele que acrescenta, que sofre com os problemas alheios. E conserva o autocontrole mesmo nas piores situações.
Zé Carioca, o mascote da competição, incomodado com os gritos da torcida, chamando-o de Loiro José. Porteiro Zé, o outro mascote, visivelmente embriagado tropeçava na linha lateral e despencava no gramado. A torcida delirava.
José Luis Datena, mestre de cerimônias, anuncia:
- E o time dos políticos vem no três cinco dois, com o vice-presidente José Alencar no gol. A defesa, formada por Trípoli, Serra e Aníbal.
- No meio, os petistas Cardozo, Dirceu, Genoino, Mentor e Cirilo. E formando o ataque, uma dupla de peso: Fogaça e Sarney, capitão, técnico, psicólogo, fisiologista e presidente da equipe.
Mas na prática, o esquema não funcionava... Ninguém entendia como jogavam. Sempre pelo meio ou direita...
- Não é possível, até os canhotos jogam pelo meio, dizia José Trajano, o comentarista que cobria a partida.
- Pois é, vejo um clarão no lado esquerdo, uma verdadeira avenida, complementou Datena, agora narrador.
E não parava por aí.. era uma confusão. Tudo era discutido, negociado, barganhado.
- Serra, passa a bola pra mim! Estou livre, dizia o impaciente José Dirceu, sozinho no meio da área
- Se você passar pro Dirceu, no próximo pênalti quem bate é você, gritou Genoíno
- E se não tiver pênalti no jogo?, perguntou o sempre nervoso Serra ainda com a bola nos pés
- Ah, a gente compra um. O juiz está no esquema, responderam em coro vários jogadores
Josefa, aproveitando seu livre trânsito no mundo das celebridades fez um grande trabalho e montou uma verdadeira constelação.
Na defesa, os três tenores, ou melhor, os zagueiros: Carreras, Cocker e Satriani. Dava gosto de ver... afinadíssimos, sincronizados, não saíam do tom. Perfeitos!!
- Toca pro José, gritou uma morena alta, ao lado do alambrado
- Mas para qual deles?, retrucou Cocker, com sua voz inconfundível
- Ah, qualquer um, solta a bola!
- Rá rá, rá, impedido, apontou o juiz José Simão, soprando seu apito dourado.
- Ei juiz, tá ficando cego?, berrou Saramago, já na marca do pênalti.

Que maravilha!!!! Adorei a hora em que ficou um "clarão" na esquerda... hahahahah! Aqui no Rio Grande do Sul tem "São José dos Ausentes". Acho que foi o pessoal que não pode comparecer ao jogo!
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