sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Último dia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Buenos ótimos aires - Parte 2

Algumas pessoas me perguntam os motivos de eu escrever, como, por que, pra que, quando, desde quando.... boa parte das respostas está lá embaixo no post "por que escrevo". Mas resumidamente, não sento na cadeira todo o décimo segundo dia do mês par, na vigésima hora do dia de lua crescente para escrever.... Quando vem alguma coisa diferente na cachola, corro pro computador e escrevo rápido, antes que eu esqueça. 

As linhas que vem abaixo foram concebidas agorinha mesmo, enquanto tomava banho... vamos ver o que dá...

Buenos ótimos aires- Parte 2

Continuando.... ah, não espere que esses posts se transformem no futuro em dicas de cidade, ou mesmo diário de viagem... já existem várias publicações consolidadas e minha amiga Cindy Wilk tem muito mais talento do que eu para dividir essas coisas.

Como disse no post anterior, essa foi minha terceira ida à Buenos Aires, entonses, me permite fazer coisas do cotidiano portenho.. ao invés de pegar táxi, que vai merecer um post separado, andei de ônibus e metrô.

Vamos lá.. algumas impressões sobre ônibus:

Minha aventura começou ao tentar descobrir onde passava o ônibus que deveria tomar.... assim como no Rio, eles chamam pelo número... Após várias tentativas, uma junta de açougueiros decidiu que eu deveria tomar o 39 na rua de trás... e não é que um deles veio atrás de mim para mostrar o ponto? Muy amable! Aliás, isso vai merecer também um outro post

  • O 39 veio e sabia que custava 1,25 pesos, mas não me avisaram que era só aceitavam moeda. O motorista (não há cobrador no coletivo) controla a máquina e você deposita moedas. Quando subi no ônibus, já me preparei pra descer porque não tinha moeda, mas gentilmente, o motorista trocou uma nota de dois pesos em moedas pra mim. Muy amable 2!
  • As pessoas que tomaram o ônibus eram de classe média, muitos estudantes, idosos, mulheres e uma criança ao meu lado, com seus comentários que só as crianças fazem (e lá em castellano)
  • Tava na cara que eu era turista, dois mapas na mão, mochila, boné, tênis... Sentei no fundo e ficava olhando as ruas, placas e conferindo no mapa para não perder o ponto. Deu certo, o mapa tava correto e desci tranquilamente
Conclusão: experiência interessante, tudo correu bem, vi bonitas ruas, largas, arborizadas, não havia trânsito, cheguei onde queria na hora que queria e aprendi a trocar notas por moedas para a volta

No próximo post, impressões do metrô.

Boa terça!


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Buenos ótimos aires - Parte 1

Caros e caras,

Farei um breve intervalo, mas prometo voltar a postar meus contos.. Estive em Buenos Aires neste último feriado e alguns pensamentos merecem ser divididos. Aliás serão divididos em alguns posts, provavelmente sem ordem cronológica ou lógica.

Essa foi a terceira vez que estive na cidade... coincidentemente, a cada 6 anos, dou um pulo lá. Dessa vez a motivação foi correr a Meia Maratona de Buenos Aires.

Mas como é bom já conhecer a cidade, desta vez pulei a parte dos pontos turísticos. Casa Rosada, click, Caminito, foto, Puerto Madero, clack.

Optei por ficar em um flat em Palermo, afastado do centro, das sacoleiras brasileiras gritando na Florida... Muito bom... bairro arborizado, bonito, galerias de arte, restaurantes.

Mas melhor do que tudo isso, é andar em uma cidade que não é a tua com gente local, moradores, nativos, habitantes que pagam impostos e conhecem as ruas, buracos e os lugares mais descolados....

Desta vez foi assim... passei ótimos momentos com meus amigos argentinos. Revi também alemães e brasileiros que não moram mais aqui e foi incre-i-ble.

Me dei bem no câmbio do Banco de la Nacion, não tive problema de nota falsa, não fui enganado pelos taxistas, andei de ônibus, metrô, táxi.. tudo tranquilo. 

Mandei ver no ojo de bife, fui ao supermercado para comprar porcaritos locais, tomei vinho nacional de qualidade e comi pancho...

No vôo da volta, aí sim encontrei as sacoleiras, excitadíssimas com seus achados e compras... Em média, elas costumam ir a Buenos Aires 3-4 vezes por ano para comprar. Adiós Paraguai, viva a Galeria Pacifico e os outlets portenhos. Mas nada que um dramin pra mim e um rivotril nelas não resolva...

Daqui a alguns dias, segunda parte! Hasta la vista!

domingo, 4 de outubro de 2009

O lamento da letra H (ou conto das letrinhas)

Domingão, friozinho chato lá fora e enquanto espero a tradicional pizza de mussarela da Padaria Real (ao lado da MTV), aproveito para postar um dos contos que mais gostei de escrever... 
Foi um dos primeiros, escrito quando morava no Rio. Despertei no meio da madrugada e rascunhei as primeiras idéias, terminadas no computador do escritório, na hora do almoço. Com vocês, o lamento da letra H, ou o conto das letrinhas.

O LAMENTO DA LETRA H

Tarde ensolarada no Rio de Janeiro, mais uma reunião na Academia Brasileira de Letras.

O dono do alfabeto vestido impecavelmente, gel nos cabelos, óculos redondos, ao melhor estilo Olavo Bilac, toma o microfone:

- Senhores e senhoras, tomem seus lugares. Está aberta a sessão!!!

Lá estão todas as letras, as vogais sentadas juntas, entrosadíssimas, após a conquista do campeonato de futebol de salão do alfabeto. As consoantes, presença maciça e esmagadora na reunião, confiantes da aprovação de mais emendas e propostas. E os dígrafos então, apaixonadíssimos, sempre juntos... “SS”, “RR”

Ah! E a letra “CÊ”!!! Quanta alegria com sua prole, o “C Cedilha”. Realmente, a presença de uma criança transforma a casa.

À primeira vista, parece que a felicidade reina na academia. Só um membro continua cabisbaixo, triste, taciturno. E pede a palavra:

-        Ilustríssimo criador e mantenedor desta nobre casa, pela ordem!

-        Palavra cedida, letra “AGÁ”. Por que essa fisionomia tão abatida?

-        A vida não tem sido boa para mim! Todos na academia estão felizes, cada um a sua maneira. Veja a letra “XIS”!!!

O criador logo interrompe:

-        Ah! Não me fale dela! Com o surgimento das urnas eletrônicas, ninguém faz mais X nas eleições!!!

Argumento logo retrucado pela triste letra “AGÁ”:

-        Nada disso! Além de toda a sonoridade, até virou nome de cantor!!! E participou da Casa dos Artistas!!!

-        Sejamos justos, letra “AGÁ”, intervém o dono do alfabeto.

-        Não aceito comparações entre os colegas. Procurei dar destaque a todos vocês. Só aceito reclamações e requisições com argumentos coerentes e bem defendidos!

A letra “AGÁ”, suando as bicas, refeita do susto e da bronca, toma ar e dá início ao seu discurso:

-        Não estou contente com a minha função no alfabeto. Não sou percebido em lugar nenhum; no início das palavras ninguém repara que eu existo. Nem entre as crianças (e outros mais velhos também) sou popular. Quantas vezes já vi escreverem “orrível  ou oje”!!!

E continuou com suas lamentações:

-        Eu só sirvo mesmo para acompanhar os outros colegas. Quero carreira solo, luzes, holofotes, glamour!!!

No plenário, são ouvidos murmúrios, risos, comentários. Até que se levanta a letra “ÉLE” e aos berros, brada:

-        Não dê ouvidos a essa infiel. Sai com todo mundo... Aqui mesmo tem mais 2 colegas que andam sassaricando com ela. E aponta as letras “ENE” e “CÊ”, que prontamente tapa os ouvidos do seu filho “Cedilha” para que não ouça tais impropérios. 

O criador interrompe a sessão por instantes para que a exaltada letra “ÉLE” recobre a consciência e tome um pouco da água. E toma o microfone novamente:

-        Letra “AGÁ”, não seja melodramática!! Veja só essa onda de numerologia. Quantas mulheres já a incluíram em seus nomes. É um tal de DeboraH pra cá, SaraH pra lá!!!

Por instantes, o plenário acreditou que o assunto estava resolvido, mas houve ainda um último desejo:

-        Meu criador,considere o pedido dessa pobre criatura. Faça uma revisão nesse alfabeto. Delegue-me outras funções, me dê som!!! Veja meus parentes estrangeiros como são valorizados, som forte, gutural!!

-        Está bem, está bem!! Vou considerar seu apelo, mas não vai me falhar na hora H!!!