Promoção na Copa? Olimpiadas? Naquele torneio de
tênis?
Vale a pena? Vai dar retorno? Vai vender? Que podemos
esperar?
Ao longo dos anos ouvi estas e outras perguntas
e gostaria de dividir minha opinião.
Tomando como base os grandes esportivos que vivi como
patrocinador (Copa do Mundo, Jogos Olimpicos e Copa Libertadores), afirmo que na
maioria das vezes, promoçoes geram mais resultados em termos de visiblidade
e reconhecimento das marcas do que aumento de vendas.
Importante ressaltar que esta afirmação é muito
pessoal e não pode ser considerada única ou definitiva.
Os números, no entanto, tendem a comprovar esta
percepção.
Pesquisa feita pelo Meio Mensagem apontou que, durante
os Jogos Olímpicos Rio 2016, somente 3% dos brasileiros
participaram de alguma promoção ligada aos Jogos.
E iniciativas não faltaram. Marcas tradicionais
como Coca-Cola, Visa, Bradesco, P&G, McDonalds, Panasonic, Bridgestone,
Samsung, Nissan desenvolveram diversas promoções ao consumidor final.
Os resultados foram certamente abaixo das expectativas
destas empresas.
Vejo somente 2 categorias que são exceções a esta
constatação e somente em um evento específico, a Copa do Mundo:
1. Artigos esportivos
Esta categoria tem correlação mais do que direta com o
evento. Durante a Copa do Mundo, Nike, adidas, Puma,Umbro e outros fabricantes
tem seus produtos diretamente ligados ao evento: uniforme, chuteira, bolas,
acessórios. Jogadores, juizes, assistentes e voluntarios usam este material em
todas as partidas.
O torcedor, movido pela paixão e com seu nacionalismo
à flor da pele, não economiza na compra de produtos ligados ao seu
país. Além disso, investe alguns bons tostões na compra de souvenirs e
lembranças do evento (bolas, mini bolas, bone, squeeze, cachecol, agasalho).
Isso sem falar na economia informal e pirataria.
2. Bebidas alcóolicas
Não só no Brasil mas no mundo todo, o torcedor (que
não estará no estádio) costuma reunir amigos e família para assistir os jogos.
E certamente a cerveja estará lá (antes, durante e depois).
Existe uma simbiose clara entre cerveja e
futebol. A comida pode variar (petisco, churrasco, feijoada, pizza) mas a
cerveja é pedido certo.
Nestas categorias, é possível sim vermos o ponteiro de
vendas mexer durante a Copa e aí sim vale o esforço e investimento
para promoções ao consumidor final.
Mesmo nestas categorias, os cuidados com a promoção
devem persistir: mecânica simples, direta, de fácil entendimento, prêmios atrativos, relação favoável entre valor da compra e
prêmio e um forte investimento em mídia para comunicar a iniciativa.
Você compraria uma chuteira de 700 reais para ganhar
uma caneleira?
E por que isso só funciona em Copa do Mundo e não em
outros eventos esportivos?
Porque o comportamento do torcedor (assistir no local,
em casa, compra de produtos) em outros eventos é bem diferente do que na Copa
do Mundo. E isso influencia consideravelmente os resultados de venda.
Se você gestor tem a expectativa de usar eventos
esportivos para
aumentar suas vendas de forma significativa, aconselho
repensar.
Talvez você não se classifique para a próxima fase!

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